Startups revolucionando o espaço

Inicialmente explorado exclusivamente pelos governos, já na década de 80 o espaço passou a ser um segmento amplamente impulsionado pelo setor privado e essa tendência se ampliou no século XXI. A consultoria Morgan Stanley estima que a indústria espacial global pode gerar receita de US$ 1 trilhão ou mais em 2040, bem acima dos US$ 350 bilhões de 2021. Da mesma forma, recentemente o cenário também vem se mostrando favorável para startups da indústria espacial. O setor cresceu significativamente nos últimos anos, tanto em valor quanto em escala, com oportunidades crescentes de financiamento e suporte técnico. As startups espaciais arrecadaram mais de US$ 7 bilhões em 2020, o dobro do valor de dois anos anteriores, de acordo com a empresa de análise espacial Bryce Tech. E o que algumas dessas startups estão fazendo? Esta edição do Abrasat Notícias apresenta seis exemplos de startups do setor que vêm se destacando. Veja a seguir.

Astroscale

Fundada em 2013, a startup japonesa é a principal marca no segmento de manutenção em órbita e remoção de detritos espaciais. No final de 2021, recebeu US$ 109 milhões em uma nova rodada de financiamento, totalizando US$ 300 milhões. Segundo a empresa, os novos fundos serão usados para escalar e acelerar a capacidade de realizar o trabalho de manutenção em órbita até 2030. O congestionamento espacial é uma preocupação para a indústria em um momento em que várias empresas anunciaram planos para lançar constelações LEO, adicionando milhares de novos satélites a um ambiente espacial já denso. A espaçonave de remoção de detritos ELSA-d, lançada pela Astroscale em março de 2021, provou sua capacidade de capturar outro satélite e agora vem passando por várias fases de validação de suas tecnologias para o trabalho de captura de detritos no espaço. Os detritos espaciais são um problema sério e crescente na medida em que as órbitas ao redor da Terra se tornam cada vez mais repletas de satélites extintos, propulsores e outros destroços que apresentam o risco de atingirem uma espaçonave em funcionamento.

LeoLabs

A LeoLabs levou o grande prêmio na competição Startup Space da SATELLITE 2018 e está nas listas de observação de analistas todos os anos desde então. A startup no segmento de SSA – Space Situational Awareness, ou mapeamento e controle de objetos em órbita, do Vale do Silício, usa radares terrestres no Alasca, Texas, Nova Zelândia e, mais recentemente, Costa Rica, para monitorar a órbita baixa da Terra, e para rastrear e medir qualquer objeto que voe em sua área de observação. Uma das principais vantagens do sistema de rastreamento da LeoLabs é o tamanho dos objetos que pode detectar: 2cm de diâmetro, muito menor do que os objetos de 10 cm rastreados por outros sistemas de detecção. De acordo com a publicação TechCrunch, há cerca de 17.000 objetos de 10cm em órbita e 250.000 a partir de 2cm, que podem provocar danos catastróficos viajando em velocidade orbital. A mais recente operação da LeoLabs, na Costa Rica, combinada com sua rede já existente, fornecerá os dados que alimentam a nova plataforma automatizada de prevenção de colisões para operadores de satélite. O serviço baseado em nuvem dá aos operadores de constelação de satélites seu primeiro acesso real a um serviço especificamente projetado para proteger seus ativos no espaço.

Virgin Orbit

Primeiro serviço dedicado ao lançamento de satélites de pequeno porte, os smallsats, a Virgin Orbit é outra startup para se prestar atenção. Fundada em 2017 pelo bilionário britânico Richard Branson,  a Virgin Orbit tem como diferencial a mobilidade de seu sistema de lançamento aéreo em comparação com as limitações dos sistemas de lançamento fixos.

Em janeiro, colocou em órbita sete pequenos CubeSats para a NASA, com seu foguete lançado com a ajuda de um jato jumbo na costa da Califórnia. O veículo LauncherOne decolou em uma aeronave 747-400 personalizada chamada Cosmic Girl de Mojave Air and Spaceport, no Novo México. A ideia é integrar o seu legado de viagens aéreas comerciais ao seu negócio de lançamento espacial.

A Virgin Orbit está construindo uma infraestrutura global de sistema de lançamento. A empresa trabalha para estabelecer novas instalações de lançamento no Centro de Lançamento de Alcântara, na costa norte do Brasil, e no porto espacial do Reino Unido em Cornwall, proporcionando acesso a países que atualmente não têm essa capacidade.

Relativity Space

A startup de veículos de pequeno porte, Relativity Space, já levantou US$ 500 milhões em um dos maiores investimentos já realizados em uma empresa espacial privada. O dinheiro será usado para aumentar a produção de seu foguete Terran 1 impresso em 3D. Em 2020, a empresa relatou testes de pressão bem-sucedidos de seus tanques de combustível impressos em 3D e um teste de disparo de seu motor de foguete Aeon 1. Em junho, assinou contrato com a Iridium para até seis lançamentos de satélites de comunicação da empresa. Seu primeiro lançamento de foguete, o Terran 1, está planejado para o príncipio deste ano..

Orbital Insight

A empresa de análise geoespacial Orbital Insight, com sede em Palo Alto, combina a geolocalização de telefones celulares com imagens obtidas de satélites, drones e balões para dar às empresas uma visão panorâmica de uma série de atividades humanas. Essa aplicação já está sendo usada em parceria com a Unilever desde 2020  para monitorar a cadeia de fornecimento sustentável de óleo de palma no Sudeste Asiático. Usando dados de celulares de caminhões de entrega, o sistema rastreia como as matérias-primas vão da fazenda à refinaria, garantindo que os fornecedores não estão contribuindo para o desmatamento da floresta tropical virgem para a implantação de novas plantações.

Slingshot Aerospace

A Slingshot Aerospace é especializada em “inteligência situacional”. Ela ajuda empresas aeroespaciais e de defesa a entender rapidamente o volume de dados coletados por radar e outras tecnologias de observação a bordo de satélites, aviões e drones. A empresa trabalha com a NASA, a Força Aérea dos EUA, a Northrop Grumman e a Boeing. Em outubro de 2020 foi contratada pela Força Espacial dos EUA para criar um simulador espacial VR para treinamento. Chamado de Slingshot Orbital Laboratory, o simulador foi produzido em parceria com o estúdio de efeitos visuais Third Floor, que trabalhou em projetos como Gravity , The Martian e The Mandalorian. Em 2021, a Slingshot lançou uma versão personalizada de sua ferramenta de mapeamento da Terra para ajudar as pessoas na área de Los Angeles a localizar alimentos gratuitos ou de baixo custo durante a pandemia.

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