O papel dos satélites nas eleições

Você sabe qual é a importância dos satélites nas eleições? Eles têm um papel fundamental para garantir a rapidez na transmissão do conteúdo das urnas eletrônicas em lugares remotos e de difícil acesso.

O Brasil possui mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e, nas eleições de 2020, estava preparado para receber os votos de 147 milhões de pessoas, inclusive os de brasileiros que vivem em regiões muito remotas, como aldeias indígenas, quilombos, assentamentos e comunidades ribeirinhas. Apenas o transporte de urnas eletrônicas para essas localidades é um processo que em alguns casos pode levar dias, mas a contagem dos votos é feita em apenas alguns minutos.

Nos primeiros anos de uso do sistema eletrônico em nossas eleições, os resultados podiam demorar alguns dias até serem contabilizados, exatamente porque a comunicação entre estas regiões e seus respectivos TREs (Tribunal Regional Eleitoral) eram demoradas e caras.

O que mudou de lá para cá foi o uso de satélites para que essa troca de informações fosse agilizada. Com este método, os votos computados pela urna são enviados por uma rede via satélite para o TSE. Assim, graças às comunicações via satélite, os votos de todas as urnas, nas regiões mais remotas do país, são totalizados ao mesmo tempo que os votos de qualquer outro centro urbano, o que permite ao Brasil a totalização dos resultados em tempo recorde considerando-se as grandes democracias do mundo.

Os equipamentos de satélite disponibilizados para que este processo aconteça são leves e pequenos, tornando seu transporte uma tarefa factível dadas as condições desafiadoras de logística dos locais. Elas se conectam a microcomputadores por meio de cabo e permitem também o uso de telefone na localidade da urna, e se comunicam com satélites situados a 36 mil quilômetros de altura.

Um ponto positivo dos satélites nestes casos é que sua utilização não está atrelada à disponibilidade de energia elétrica permanente pois possuem baterias, o que é conveniente pois algumas regiões remotas do país não possuem eletricidade confiável, mas acabam nem perdendo o direito de voto e nem atrasando os resultados. Estas localidades, inclusive, não precisam de qualquer infraestrutura de comunicações para que tenham antenas instaladas durante o período de votação.

Os TREs que necessitam do sistema satelital para a transmissão dos votos devem solicitar o equipamento necessário, de modo que cada seção eleitoral seja abastecida com equipamento de transmissão e um notebook – únicas ferramentas necessárias. Nas últimas eleições, tivemos mais de 1,4 mil pontos de transmissão via satélite, solicitadas por pelo menos 1.279 localidades em 353 cidades em todo o país.

Importante observar que o projeto envolve um meticuloso período de preparação, com um gigantesco desafio logístico de distribuição dos equipamentos, configuração da rede, testes de integração com a rede da Justiça Eleitoral, treinamento dos operadores remotos em todo o Brasil, ativação e monitoração de mais de mil terminais satélite.

Tudo isso para que no momento exato do fechamento da urna eletrônica, o sistema esteja disponível para transmitir, em poucos segundos, um pequeno mas importante pacote de dados chamado Boletim de Urna (BU), que contém os votos registrados naquela localidade.

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