Nano Satélites entram no radar do Brasil e do mundo

Foto: Nasa


De acordo com o relatório ‘Mercado Global de Nano Satélites e Microssatélites – Análise e Previsão, 2020-2026′, da empresa de pesquisas ADS Reports,  publicado em dezembro de 2020, o mercado global de nano satélites e microssatélites gerou US$ 283,1 milhões em 2019 e estima-se que cresça a uma CAGR (taxa de crescimento anual composta) de 24,86% durante 2020-2026.

Os nanos são satélites do tamanho de uma caixa de sapatos com microcâmeras que permitem captar imagens e transmiti-las quase em tempo real.  Um equipamento pode ser classificado assim segundo a sua massa: um nano satélite tem entre 1 e 10 kg. E são esses satélites que vêm recebendo atenção da indústria espacial e de satélites nos últimos anos, muito em função do baixo custo de desenvolvimento.

As dimensões menores e simplicidade de funcionamento vêm estabelecendo os nano satélites como alternativas atrativas e economicamente viáveis para as empresas do setor. São vastas as possibilidades de aplicação dos nano satélites, sendo aquelas relacionadas a IoT e M2M as que mais chamam atenção atualmente.

A conectividade IoT verdadeiramente global, algo que somente o satélite pode oferecer, mudará o monitoramento ambiental, a agricultura, a gestão da infraestrutura pública e tudo relacionado ao sensoriamento remoto de grandes áreas. A disponibilidade de conectividade global de baixo custo e baixo consumo de energia, proporcionada pelos nano satélites, aumentará o número total de sensores conectados e, com esses pontos de dados em uma variedade de aplicações (ambientais, sociais, industriais, agrícolas e logísticas globais), melhorará a precisão das previsões e tendências baseadas em dados.

Nos próximos anos, o financiamento e os orçamentos das agências espaciais deverão ser impulsionados por aplicações variadas de constelações de nano satélites e microssatélites, como comunicação, fornecimento global de Wi-Fi, vigilância e navegação. A indústria espacial também deve ser impulsionada pela demanda por melhor conectividade para dispositivos inteligentes, Internet das Coisas (IoT), maior uso de análise de dados e migração para streaming de banda larga.

Brasil já desenvolve projetos com nano satélites

Além de IoT e M2M, outra utilidade bastante buscada com os nano satélites é a observação e coleta de imagens terrestres. Esta aplicação é o que se pretende obter com o Projeto CONASAT, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, apenas um dentre outros projetos brasileiros que têm intenções de fazer uso deste tipo de satélites. A Constelação de Nano Satélites para Coleta de Dados Ambientais, portanto, tem o objetivo de oferecer uma alternativa ao Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA), que atualmente utiliza satélites maiores para, como o próprio nome indica, realizar a coleta de dados ambientais em território brasileiro. O edital do projeto foi aprovado em 2010, e ainda está em fase de implementação.

Outra medida brasileira que se refere à utilização de nano satélites é o plano de uso do Centro de Lançamentos de Alcântara (CLA), no Maranhão, para o lançamento de equipamentos de pequeno porte. A base, que se situa próxima à Linha do Equador e é, portanto, mais propícia ao lançamento de satélites, ainda não completou nenhuma missão deste tipo. Apesar disso, segundo Carlos Augusto Teixeira de Moura, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), a ideia agora é a de atrair para Alcântara empresas que queiram lançar satélites pequenos, como uma alternativa competitiva aos meios usualmente escolhidos.

Atualmente, algumas das empresas que detêm veículos capazes de completar lançamentos de nano satélites – e que poderiam fazer uso da instalação brasileira – são as americanas SpaceX e Virgin Orbit, a europeia Arianespace e a chinesa CASIC, além das próprias agências espaciais nacionais da Índia (ISRO), Europa (ESA), Japão (JAXA), China (CNSA) e EUA (NASA). Estas organizações foram ativamente participantes no lançamento de nano satélites nos últimos anos, além de já terem planos para muitos outros lançamentos a serem realizados em um futuro breve.

Um terceiro exemplo de projeto brasileiro com nano satélites é o “Constelação Catarina”, parceria da Agência Espacial Brasileira com o governo de Santa Catarina, para a construção de uma constelação de nano satélites brasileiros que serão desenvolvidos e construídos com o potencial tecnológico catarinense. Os equipamentos poderão ser utilizados nas áreas de proteção e defesa civil, meio ambiente, meteorologia e agricultura. O equipamento piloto deve ser lançado este ano. Em seguida, em uma primeira etapa que deve ser realizada até 2024, estão previstas a construção e lançamento de outros 12 satélites. A proposta é melhorar a coleta de informações, desenvolver novas aplicações e transformar o Estado em um novo polo aeroespacial brasileiro. O projeto vai fornecer produtos fundamentais que vão melhorar e ampliar a capacidade de interpretação de dados para a identificação de eventos meteorológicos típicos do estado de Santa Catarina.

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