“New Space”, a nova fronteira da exploração espacial

Desde o começo deste século, o mercado de satélites vem se tornando cada vez mais interessante para a iniciativa privada, com empresas e conglomerados de vários países investindo ativamente na produção de satélites, foguetes lançadores e uma imensa variedade de sistemas essenciais para o funcionamento desses equipamentos orbitais. Mesmo países que não dispõem de bases espaciais ou recursos financeiros para lançar satélites estão ganhando com o desenvolvimento de softwares, células de energia, blindagem contra a radiação e baixas temperaturas do vácuo espacial, chips e circuitos para sistemas de telecomunicações e muito mais. Estamos vivendo hoje a era do “New Space”, o “Novo Espaço” da exploração orbital e além.

Na década de 90, o setor começou a evoluir com grande velocidade: novas tecnologias de lançamento, equipamentos orbitais cada vez mais leves, com maior capacidade de serviço e vida útil mais longa. Em meados daquela década, surgiram as primeiras redes de micro ou nanosatélites em órbita baixa que fornecem serviços globais de telecomunicações. Existem hoje vários consórcios transnacionais lançando ou se preparando para lançar suas próprias constelações de satélites em órbita Não Geoestacionária.

Os modelos tradicionais de satélites geoestacionários não foram aposentados, mas passaram por uma profunda evolução. As máquinas que eram pesadas e caríssimas foram se tornando cada vez mais leves, mais acessíveis e com capacidade muito ampliada. Nesse cenário se destaca a tecnologia HTS (“High-Throughput Satellite”, ou satélite de alto rendimento). O HTS é uma classificação para satélites de comunicações que fornecem geralmente por um fator de 20 ou mais vezes a capacidade total de um satélite tradicional para a mesma quantidade de espectro orbital alocado, reduzindo significativamente o custo por bit. Além de muito mais potentes, os novos equipamentos HTS são cada vez mais leves, flexíveis e menos custosos que seus antecessores.

O mundo se prepara para a chegada da 5ª geração de comunicações móveis, o chamado 5G. Essa nova geração prevê um salto imenso no volume de dados circulando ao redor do planeta, com aplicações ilimitadas que vão desde a telefonia universal, disponível mesmo em áreas remotas, até a chamada “Internet das Coisas” (IoT), que vai exigir uma rede robusta de altíssima capacidade e disponibildiade para conectar bilhões de objetos de uso cotidiano com seus usuários e a rede de computadores.

As empresas com maior chance de sucesso nessa nova era da exploração espacial serão aquelas com maior agilidade, e que empregam profissionais talentosos para desenvolver soluções e sistemas competitivos. Além disso, os governos precisam contribuir com uma regulamentação estratégica, que leve em conta as possibilidades imensas desse setor para a economia. Os próximos vinte anos serão marcados por avanços extraordinários em tecnologias e serviços de telecomunicações, internet, inteligência artificial e outras áreas muito lucrativas. O “New Space” surge como uma fronteira excitante e cheia de oportunidades, assim como os avanços na indústria de satélites geoestacionários. E não apenas para os departamentos de defesa das nações e empresas bilionárias, mas para empreendedores criativos de todos os tamanhos e origens.

One thought on ““New Space”, a nova fronteira da exploração espacial

  1. Waldo says:

    Muito bem colocado o conceito de New Space, que pode ser considerado como a democratização do acesso ao espaço, agora não mais reservado apenas às nações desenvolvidas, mas a qualquer nação com perfil inovador e que acredita que pode fazer parte desta revolução do “espaço 2.0”. Afinal o desenvolvimento de sistemas de constelações de nanosatélites em baixa órbita depende muito mais de criatividade, inovação e flexibilidade regulatória do que capital intensivo.

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