Analise de dados via satélite será tecnologia chave para monitoramento da Agenda 2030

Desde 2015, quando a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu 17 metas globais para desenvolvimento sustentável a serem alcançadas até 2030 por todo o planeta, uma das questões que se coloca é como medir e monitorar o atingimento dessas metas. Economistas estimam que conduzir pesquisas por domicílio poderia custar cerca de 254 bilhões de dólares. E a confiabilidade e consistência dos dados entre os países também seria uma questão.

No início de janeiro a publicação do paper de uma equipe de pesquisadores da Aarhus University, na Dinamarca, mostrou a viabilidade de se utilizar dados de satélites para monitorar algumas das metas da ONU.

De acordo com matéria publicada no site Sigularityhub e assinada por Vanessa Bates Ramirez, o estudo da Aarhus University usou dados de sensoriamento remoto via satélite para monitorar o nível de pobreza em países de baixa renda, a partir da análise do uso da terra por grupos de famílias em vilas rurais do Kenya.

O método analisa as imagens de satélite levando em conta o acesso das pessoas a diferentes recursos. A ideia foi usar dados espaciais com um viés sócio-ecológico, capturar o status financeiro da população local e desta forma também o desenvolvimento da localidade.

O método pode identificar os domicílios mais pobres com 62% de precisão, sendo o tamanho das construções nas propriedades o principal indicador de riqueza. A proporção de terra não utilizada próxima e entre propriedades individuais também é levada em conta, assim como a duração da estação de cultivo.

A lógica é: propriedades com pequenas construções e mais terras não utilizadas tendem a ser ocupadas pelas famílias mais pobres, enquanto as mais ricas geralmente possuem maiores construções e são mais propensas a cultivar suas terras.

Os autores do estudo acreditam que com alguns aperfeiçoamentos o método poderia ser um modo muito mais efetivo e barato de monitorar o progresso de algumas metas de desenvolvimento sustentável, especialmente à medida que os dados de satélite se tornam mais fáceis e baratos de serem obtidos. Para levantamento do uso e proteção de florestas e oceanos, por exemplo, dados de satélite pode ser o único modo efetivo de monitoramento.

As 17 metas globais para desenvolvimento sustentável abrangem questões fundamentais como pobreza, fome, educação, aquecimento global, igualdade de gênero, água, saneamento, energia, urbanização, meio ambiente e justiça social. Alcançar esses objetivos significa melhorar a qualidade de vida das pessoas e, principalmente, da população mais pobre e vulnerável. O satélite será uma tecnologia crucial para se atingir esse objetivo.

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