A expansão da Internet das Coisas (IoT) abre uma frente de negócios para as operadoras de satélite que vai além da oferta de conectividade em locais sem cobertura terrestre.
Em aplicações como telemetria, rastreamento de ativos e monitoramento remoto, a oportunidade está em conectar máquinas, sensores e equipamentos distribuídos por grandes áreas, muitas vezes distantes dos centros urbanos. Para transformar essa demanda em receita recorrente, porém, será preciso atender a uma exigência diferente daquela dos serviços tradicionais de banda larga: oferecer conectividade a um custo compatível com aplicações que podem envolver milhares de dispositivos.
No agronegócio, a dimensão da lacuna de conectividade ilustra o potencial desse mercado. Segundo o Indicador de Conectividade Rural da ConectarAGRO, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Viçosa, apenas 33,9% da área disponível para uso agrícola no Brasil contava com cobertura 4G ou 5G em 2025. O dado mostra uma limitação para a digitalização das operações no campo, onde sensores, sistemas de telemetria e equipamentos conectados podem depender de comunicação mesmo em áreas fora do alcance das redes móveis.
Mineração, energia, transporte e logística
A demanda não se restringe à agricultura. Na mineração, no setor de energia e nas operações de logística e transporte, o monitoramento de equipamentos e o rastreamento de ativos também estão entre as aplicações empresariais potenciais da IoT via satélite, segundo pesquisa da GSMA Intelligence citada no relatório The Mobile Economy Latin America 2026. Nesses casos, a conectividade é usada para acompanhar ativos e operações distribuídos por grandes extensões territoriais, inclusive em locais onde a implantação de infraestrutura terrestre é limitada.
Entretanto, o volume potencial de dispositivos não garante a viabilidade do negócio. Diferentemente de uma conexão de banda larga destinada a um usuário ou estabelecimento, aplicações de IoT podem exigir terminais compactos, baixo consumo de energia e transmissão de pequenas quantidades de dados. O preço de cada dispositivo e o custo de manter milhares deles conectados passam a ter peso decisivo na escolha da tecnologia e na contratação do serviço.
Soluções híbridas
Nesse cenário, soluções híbridas, que combinam redes terrestres e satelitais, podem ser uma opção. Em vez de depender de uma única infraestrutura, a conectividade passa a ser definida conforme as condições de cada operação. Para as operadoras satelitais, isso significa disputar contratos não apenas com base na cobertura, mas também na adequação da solução aos requisitos técnicos e econômicos do cliente.
O avanço da IoT, portanto, não representa apenas uma oportunidade de ampliar o alcance dos serviços via satélite. O desafio comercial está em desenvolver modelos capazes de atender a aplicações específicas, conectar grandes quantidades de dispositivos e manter custos compatíveis com o valor gerado para cada operação. É essa combinação que determinará quais demandas potenciais se converterão em negócios recorrentes para o setor no Brasil.


