Satélites: integração de órbitas desafia regulação e amplia conectividade

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A integração entre satélites de diferentes órbitas, o avanço da conexão direta com celulares (D2D) e a expansão das constelações de baixa órbita (LEO) ampliam as possibilidades de conectividade, mas também trazem desafios regulatórios, econômicos e geopolíticos. Para o Brasil, a evolução desse mercado reforça a necessidade de atualizar as regras de operação, estimular a indústria nacional e viabilizar modelos de negócio capazes de levar serviços a regiões sem infraestrutura terrestre.

O tema foi discutido no painel “Satélites: NTN, D2D, LEO, GEO e MEO”, realizado durante a Futurecom. Moderado por Michelle Caldeira, do Sindisat, o debate reuniu Kim Mota, da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel); Rodrigo Campos, da Eutelsat; João Paulo Campos, da Visiona; e Sérgio Chaves, da Hispasat.

Entre os pontos destacados pelos participantes está a complementaridade entre as tecnologias, ou seja, a tendência de combinar diferentes arquiteturas conforme as necessidades de cobertura, capacidade e disponibilidade de cada aplicação. Veja a seguir os principais pontos discutidos durante o encontro.

Anatel avalia ajustes regulatórios para D2D

Kim Mota, da Anatel, destacou a necessidade de acompanhar a evolução tecnológica sem criar barreiras à inovação. Entre os desafios estão a definição de parâmetros técnicos para o D2D, o uso das faixas de frequência e a coordenação entre redes terrestres e sistemas de satélite.

O avanço dos novos serviços exige aperfeiçoamentos regulatórios para acomodar diferentes modelos de negócio, preservar as operações existentes e garantir o uso eficiente do espectro.

LEO avança, mas depende de coordenação internacional

Rodrigo Campos, da Eutelsat, apontou os desafios geopolíticos e regulatórios das constelações de baixa órbita (LEO). A operação dessas redes depende de gateways terrestres, autorizações nacionais e coordenação internacional.

Segundo os dados apresentados no painel, a constelação da Eutelsat, que incorporou a OneWeb, reúne 634 satélites. A expansão dessas redes aumenta a importância da gestão do espectro e da ocupação orbital.

Soberania tecnológica exige investimentos

João Paulo Campos, da Visiona, defendeu o desenvolvimento de competências nacionais para ampliar a participação brasileira na cadeia de valor espacial. Segundo ele, o programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-1) contribuiu para a transferência de tecnologia e a formação de capacidades no país.

O executivo destacou, porém, a necessidade de estabilidade e continuidade dos projetos para estimular investimentos e permitir o planejamento de longo prazo.

GEO e MEO seguem relevantes

Apesar do crescimento das constelações LEO, os satélites geoestacionários (GEO) continuam importantes para aplicações como radiodifusão e serviços que exigem alta disponibilidade.

Sérgio Chaves, da Hispasat, ressaltou a permanência dessas oportunidades. A avaliação dos participantes é que as órbitas GEO, MEO e LEO atendem a necessidades distintas e podem operar de forma complementar, conforme os requisitos de cobertura e capacidade.

Satélites podem ampliar políticas públicas

A conectividade de comunidades remotas, hospitais e serviços eleitorais foi citada por Kim Mota como exemplo de aplicação de interesse público. Os satélites também podem funcionar como backhaul para redes terrestres em regiões sem infraestrutura adequada.

Para Sérgio Chaves, o principal entrave nesses casos é econômico. Os custos de implantação e operação podem inviabilizar projetos em áreas remotas, o que abre espaço para incentivos governamentais.

D2D depende de definições técnicas e comerciais

A conexão direta entre satélites e celulares pode ampliar a cobertura em áreas sem sinal móvel convencional, mas ainda depende de definições sobre frequências, compartilhamento de espectro, coordenação com redes terrestres e remuneração dos agentes envolvidos.

Para Rodrigo Campos, é necessário amadurecer tanto a tecnologia quanto os modelos comerciais para viabilizar a expansão do serviço.

Sustentabilidade orbital ganha relevância

O aumento do número de satélites também amplia os desafios de gestão do ambiente espacial. João Paulo Campos destacou a necessidade de atualizar práticas de sustentabilidade diante da expansão das constelações e da maior complexidade de coordenação entre sistemas.

Além da ocupação orbital, o uso eficiente do espectro será determinante para a convivência entre diferentes redes.

O debate na Futurecom reforçou que a expansão da conectividade via satélite dependerá da integração entre tecnologias, de regras compatíveis com a evolução do setor e de modelos econômicos sustentáveis. Para o Brasil, o desafio é ampliar o acesso à conectividade e, ao mesmo tempo, fortalecer competências nacionais e garantir a participação do país na cadeia de valor espacial.

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