O impacto dos satélites pequenos de baixa órbita

Segmento vem crescendo desde 2012 e já influencia os modelos de negócios da indústria de satélites

Uma das maiores apostas no mercado de satélites é o de constelações de satélites pequenos de baixa órbita (LEO). Esses satélites vieram para complementar os serviços de alta complexidade e robustez dos satélites geoestacionários (GEO) e os de média órbita (MEO) e estão criando novas cadeias de valor no mercado, com o desenvolvimento de formas diferenciadas de fabricação e lançamentos de novos modelos de negócios. O mercado tem demandado bandas elevadas, baixa latência e menor custo por bit para atender aplicações de IoT, M2M entre outras, o que torna a arquitetura LEO bastante atraente.

Esta edição do Abrasat Notícias apresenta alguns dados reunidos no relatório Smallsats by Numbers, produzido pela consultoria especializada no mercado espacial e de satélites, Bryce Space and Technology. Os números mostram que o interesse pela indústria de satélites pequenos de baixa órbita vem aumentando nos últimos anos. Os dados apresentados analisam o período de 2012, quando essa indústria começou a crescer, até 2019. No relatório são considerados Smallsats aqueles com até 600 kg, o que inclui cinco diferentes categorias definidas pela Federal Aviation Administration, que regula a aviação civil nos EUA.

109 Kg é a massa média de um smallsat, aproximadamente 2 vezes maior do que em 2018 e 6 vezes maior do que em 2017.

389 é o número de smallsats lançados em 2019. Um aumento de 19% em relação à 2018. Desses, 37% são de comunicação; 32% para desenvolvimento de tecnologia; 26% sensoriamento remoto; 3% uso científico; 2% outros.

1.700 smallsats foram lançados entre 2012 e 2019; 52% deles provendo serviços comerciais;

45% dos lançamentos no período incluíram smallsats, quase o dobro dos 24% em 2012, quando foram lançados 52 smallsats.

60% desses lançamentos foram feitos para operadores dos EUA, 10% para operadores da China, 14% Europa e 57 outros países, 4% Japão, 4% Rússia, 3% Alemanha.

45% foram lançados por provedores de lançamento dos EUA, 18% Índia, 18% Rússia, 11% China, 5% Japão, 2% Europa.

899 pequenos satélites lançados entre 2012 e 2019 são satélites comerciais; a fatia de smallsats provendo serviços comerciais cresceu de 6%, em 2012, para 62% em 2019.

353 são satélites do governo. Desses, 38% pertencem ao governo americano. Ao todo, 42 governos possuem smallsats.

O Brasil também está atento a esse novo mercado

No Brasil várias iniciativas no segmento de pequenos satélites já estão sendo realizadas. Um exemplo é o nanossatélite ITASAT, fruto de uma parceria entre a Agência Espacial Brasileira (AEB), financiadora do projeto e do lançamento, e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Ele foi lançado em dezembro de 2018, da Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia (EUA). O projeto tem como principal objetivo fomentar a capacitação de recursos humanos para atuar na indústria e nos institutos de pesquisas do setor aeroespacial brasileiro.

Em dezembro de 2019, outra universidade colocou em órbita um Cubesat. A Universidade Federal de Santa Catarina lançou, a partir do Centro de Lançamento de Taiyuan, na China, o FloripaSat-1. Trata-se de um cubesat de pesquisa tecnológica construído em parceria com o programa Uniespaço da Agência Espacial Brasileira.

Outro projeto da Agência é a utilização do Centro de Lançamentos de Alcântara, no Maranhão, para lançamento de microssatélites. O objetivo é posicionar o Brasil como polo lançador de pequenos foguetes, aproveitando a localização estratégica do centro, em um mercado que deve triplicar o potencial de faturamento em duas décadas. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), a previsão com pleno funcionamento da base de Alcântara é de 1% do mercado espacial, o que representa US$ 3,5 bilhões ao ano.

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