O lixo plástico dos oceanos já pode ser monitorado por satélite

Duas pesquisas sobre o impacto da presença de resíduos plásticos nos oceanos estão sendo viabilizadas a partir da observação terrestre via satélite. Uma delas, da universidade de Oldenburg, na Alemanha, procura investigar o padrão da movimentação do lixo plástico flutuante no Mar do Norte. O monitoramento é feito a partir de rastreadores de satélite instalados em boias flutuantes. Cada boia tem um spot trace, que inclui um receptor GPS integrado, simplex transponder e sensor de movimento. Essa solução de Internet das Coisas permite aos pesquisadores rastrear a direção do movimento usando constelação de satélites de baixa órbita.

As simulações em computador 3D da universidade e instrumentos de modelagem usam os dados do spot trace para ajudar os pesquisadores a entender e prever a direção da movimentação dos resíduos, assim como o modo como viajam na coluna de água e no fundo do oceano. Essa habilidade de prever o movimento dos poluentes pode ajudar as operações de limpeza e serem mais focadas e eficientes.

A outra pesquisa vem sendo realizada por equipe multidisciplinar de cientistas, liderados pela Plymouth Marine Laboratory, organização de pesquisa marinha, em colaboração com cientistas das universidades de Stirling e Surrey no Reino Unido, e a Arctic University da Noruega, para entender o impacto econômico, ecológico e social da presença de plástico nos oceanos.

A observação terrestre tem sido realizada por meio de satélites operados pela Agência Espacial Europeia (ESA) que fazem um mapa evolutivo da superfície da Terra, mas, no processo, também capturam uma visão das águas costeiras, zona chave para se monitorar a descarga de plástico no oceano já que muito das oito toneladas de lixo plástico que chegam globalmente ao oceano todo ano vem pelos rios e afluentes.

Algas e resíduos podem ser vistos pelo satélite, segundo os cientistas da PLM, quando se juntam ao longo das espumas formadas pelo encontro entre as águas de rios e oceano. A dificuldade está em distinguir entre plásticos e resíduos naturais. Eles desenvolveram um “índice de resíduos flutuantes” que foi testado em agrupamentos de algas e de resíduos plásticos para se criar um modelo de referência. Conseguir diferenciar tipos de materiais flutuantes com a ajuda do satélite deve ajudar a responder questões como onde estão reunidos os macroplásticos e de onde eles vêm. Uma das próximas fases dessa pesquisa será aplicar algoritmos de machine-learning nas análises de imagens.

Os dois estudos revelam como sensores, tecnologia de IoT, comunicação via satélite e analytics podem reunir grande quantidade de dados sobre problemas de meio ambiente, e não só prover informação útil, mas também ajudar a prever onde as soluções podem ser melhor aplicadas.

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