Agricultura conectada: uma indústria movida a dados

agricultura conectada

A agricultura conectada deverá ser cada vez mais importante em um mundo cuja população deve chegar a 10 bilhões de pessoas em 2050. Os desafios para a produção de alimentos para todo esse contingente são grandes. A começar pela limitação de terras para plantio. A solução deverá passar pela melhor gestão da agricultura a partir de inovações tecnológicas que favoreçam um melhor gerenciamento do campo. Mapear, monitorar e entender o comportamento das terras e do clima, ajudará a construir processos mais sustentáveis para a produção agrícola.

Uma das principais tendências para a agricultura é que ela se torne uma indústria movida a dados, é a agricultura conectada. Ao se usar dados objetivos para tomada de decisões, o retorno sobre o investimento de curto, médio e longo prazos aumenta, na medida em que melhora o conhecimento e a eficiência nos processos.

Os modernos agricultores mundiais precisam adotar tecnologias para aumentar a produção ou evitar a perda de produção. Mais dados e análises de telemetria são necessários em vários tipos de agricultura. Obter dados dos sensores do campo para análise torna-se crucial. Vários tipos de conectividade de última milha são, portanto, importantes para a entrega oportuna de dados para análise e reação.

O último censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que 1,5 milhão de produtores rurais acessam dados por meio de dispositivos eletrônicos, número 1.900% superior ao de 10 anos atrás (Revista Fapesp). https://revistapesquisa.fapesp.br/agricultura-4-0/

Mas um estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) indica que apenas 5% da área agriculturável do país está conectada à internet. Há no Brasil ainda uma enorme carência de infraestrutura de conexão.

Agricultura conectada é a chave

Nesse cenário, a conectividade é fator chave de sucesso. Existe uma gama de opções para fornecimento de conectividade em configurações rurais. Entre elas, o satélite. Além do satélite ser a única tecnologia capaz de levar conectividade aos lugares mais remotos do território nacional, ele oferece uma diversidade de opções tecnológicas adequadas para diferentes fins. Nos satélites de baixa órbita, LEO, por exemplo,  a latência é baixa devido aos satélites estarem mais próximos da Terra. As antenas tendem a ser baratas, mas as taxas de dados são limitadas. É um modelo ideal para aplicações de IoT, M2M entre outras.

Nos satélites geoestacionáriosGEO, por outro lado, há uma maior latência devido à maior distância da Terra. Mas também uma maior capacidade de dados e sinal estável. O que favorece aplicações como serviços corporativos, aeronáuticos e marítimos, por exemplo.

Também há uma gama de frequências disponíveis, cada qual com suas vantagens. Os serviços de conectividade nas Bandas Ku/Ka, oferecem mais faixa de espectro e por consequência viabilizam uma conexão de alta velocidade. Na Banda L, as redes oferecem uma capacidade menor para transferência de dados em velocidade mais lenta. Os terminais são pequenos e compactos, sem necessidade de refletor. O sinal não é afetado pelo clima sendo extremamente resiliente. Assim é possível encontrar uma solução ideal para cada necessidade.

Os satélites podem auxiliar o setor agrícola de inúmeras formas. Alguns exemplos são:

– Monitoramento – dados de satélite permitem o monitoramento de inúmeras atividades agrícolas, como irrigação e fertilização, maximizando eficiência e reduzindo custos.

– M2M – as comunicações via satélite também são vitais para a comunicação máquina a máquina em áreas onde as redes terrestres nem sempre são confiáveis.

– Sustentabilidade – com a assistência dos satélites em órbita, o uso de fertilizantes torna-se mais racional, diminuindo custos e o impacto ambiental.

– Informação – o aprendizado de máquina e algoritmos inteligentes, a análise de dados de satélite e a coleta de informações oferecem insights sobre parcelas agrícolas, plantas ou condições da região. Esses dados ajudam os tomadores de decisão.

– Prevenção – Dados de satélite coletam, regularmente, informações úteis e atualizadas sobre os variados tipos de culturas e cobertura. Isso se aplica no monitoramento e detecção de quaisquer anomalias, danos ou degradação, através de mapas temáticos.

– Tendências – a capacidade de monitorar as culturas em escala global será vital para prever as tendências futuras do mercado de commodities agrícolas.

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