Anos 2020 trazem inovações e oportunidades para o setor de satélites

Os anos 2020 prometem vários desenvolvimentos de grande interesse para o setor de satélites. A tecnologia 5G e a Internet das Coisas (IoT) devem impulsionar várias aplicações que serão apoiadas por satélites. Os Estados Unidos anunciaram que pretendem enviar novas missões tripuladas para a Lua, e vários grupos estão criando grandes constelações de satélites em órbita baixa para transmissões de dados.

Os custos de fabricação e lançamento de satélites estão em queda, como mostra reportagem do site especializado Via Satellite, ao mesmo tempo que softwares mais sofisticados estão sendo usados, bem como novas tecnologias ópticas e eletrônicas. Com novos sistemas, os usuários de satélites desfrutam de conexões perfeitas, sem interrupções, combinando vários provedores, bandas de frequência e plataformas.

Uma pesquisa da NSR (consultoria Northern Sky Research) estima que o mercado de antenas planas (o equipamento mais importante para viabilizar economicamente o uso dos novos satélites de órbita baixa) deve atingir 1,5 milhão de unidades em 2028, com faturamento previsto para US$ 1,1 bilhão naquele ano. Os fabricantes de equipamentos para uso em terra estão animados com as perspectivas de crescimento nos próximos anos.

Segundo Thomas Fröhlich, CEO da fabricante de equipamentos WORK Microwave, a pressão sobre os preços deve ser um dos principais motores de crescimento na década. As empresas estão apostando na produção em massa de equipamentos cada vez mais compactos e acessíveis, o que deve causar uma revolução no setor de equipamentos para receber sinais de satélites no solo. Além das antenas, terminais com novas tecnologias ópticas também são uma grande promessa para a década.

Algumas empresas de equipamentos estão investindo em sistemas de inteligência artificial (IA) para aumentar a precisão do posicionamento das antenas em terra. Combinando duas ou mais antenas, o sistema de IA será capaz de detectar condições meteorológicas ruins na rota de uma antena, e direcionar outra antena antes que a transmissão seja afetada.

Outra tendência apontada por especialistas do setor é a mudança da banda L para a banda C como frequência intermediária (IF) em uplinks e downlinks. Para esses especialistas, a banda C permite muito mais canais e não exige a fragmentação da IF na fibra óptica.

As empresas de equipamentos estão desenvolvendo novos produtos para suportar frequências extremamente altas, como as bandas Q e V. Novos modems de altíssima capacidade serão lançados, com taxas acima de 500 Mbps para uso em localidades remotas e também em navios de cruzeiros oceânicos.

A reportagem lista algumas tendências importantes do setor de satélites que devem ser acompanhadas em 2020:
• Antenas mais avançadas e flexíveis, permitindo conexões mais estáveis e de alta qualidade.
• Novos sistemas de propulsão e combustíveis para lançadores de satélites, com destaque para os combustíveis “verdes”. Queda nos preços de lançamentos, motivada por sistemas reutilizáveis e por novas tecnologias de impressão 3D de componentes.
• O uso de impressoras 3D na fabricação de peças de satélites em pleno espaço pode reduzir os custos de produção e tamanho da carga útil, além de eliminar a necessidade de lançamentos de peças de substituição.
• Queda no preço de fabricação dos satélites.

No Brasil, setor de satélites pode se beneficiar com nova gestão de espectro

O jornalista Samuel Possebon, do site especializado Teletime News, entrevistou o presidente da Anatel, Leonardo Euler, sobre as mudanças previstas para 2020 no mercado de espectro de telecomunicações. Segundo Euler, os pequenos e médios centros urbanos serão os maiores beneficiados com as mudanças regulatórias deste ano.

A Lei 13.879/2019 aprovada no ano passado cria muitas oportunidades no mercado secundário de espectro. O presidente da Anatel prevê que a legislação facilitará novos arranjos em que os prestadores de pequeno porte poderão ter acesso licenciado por meio do mercado secundário.

Euler lembra que o setor de satélites do Brasil elogiou a atuação da Anatel, agradecendo o esforço de destinação de faixas para futuras aplicações satelitais. O executivo disse que “a capacidade das tecnologias móveis é produto da quantidade de ERBs e antenas, eficiência espectral e também da quantidade de espectro disponível. A nossa parte tem sido feita e continuaremos a fazer.”

Euler disse que a Anatel desenvolveu em parceria com a Universidade de Brasília uma plataforma de coexistência entre o IMT 2020 e aplicações satelitais que tem sido utilizada por diferentes atores em diferentes países. “A nossa postura é sempre neutra e baseada em estudos técnicos, e com isso influenciamos os debates”, concluiu o presidente da Anatel.

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